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(In)Formação / REDAÇÃO POLO SUS

Tema importante quando tratamos acerca de serviços públicos- via de regra, estendidos a uma pluralidade de indivíduos com saberes, vivências e dificuldades distintas- são os relacionados à difusão de informação e a formação do profissional que estará na ponta do serviço prestado.

Data de publicação: 23/02/2016 11:17

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Por Fábio Visentin

 

 

Tema importante quando tratamos acerca de serviços públicos- via de regra, estendidos a uma pluralidade de indivíduos com saberes, vivências e dificuldades distintas- são os relacionados à difusão de informação e a formação do profissional que estará na ponta do serviço prestado.

 

Não é incomum em pesquisas, entrevistas ou mesmo em soluções de problemas propostos em redações do ENEM se colocar como o cerne de todos os problemas a falta de informação ou a dificuldade de acesso à informação. O que não se discute, porém, é quando a informação é internalizada pelo indivíduo, ficando o problema apenas na superficialidade, como se a simples exposição a um dado resolvesse a questão.

 

Paralelo a este processo, nota-se a crescente demanda por atividades de capacitação e de complemento a formação em profissionais de diversas áreas. O que pode ocorrer por motivos diversos: desde a possibilidade de agregar um valor ao Curriculum até o desejo altruísta de fazer um impacto positivo na sociedade. O problema é que muitas vezes a informação recebida nestes cursos não é internalizada, ou quando o é, fica presa à esfera interna do profissional.

 

Estes fatos contribuem para uma discussão acerca do que seria considerado o acesso à informação. Para ilustrar o caso, cito um relato colhido durante uma das etapas de capacitação do projeto “Polo Institucional de Fortalecimento da Gestão Participativa do SUS”:

No município um agente de saúde, que realizava o acompanhamento junto a uma família carente, receita à mãe (que já tinha 5 filhos) uma pílula anticoncepcional, dizendo “ Este remédio vai mudar a situação da sua família, a senhora vai ver! Tudo vai melhorar para você e para seus filhos.”.  Alguns dias depois a mulher retorna ao posto e pede mais uma caixa do remédio. Espantado o agente de saúde perguntou quantos ela tomava por dia, visto que se estivesse fazendo o uso correto do medicamento não haveria a necessidade de pedir mais uma caixa, e a mãe responde “Dou um por dia, um pra cada filho. O senhor tinha razão! Esta vitamina é muito boa, meus meninos estão todos gordinhos.”.

  

O que parece ser fruto de um programa humorístico na verdade é resultado desta crença de que só a informação, nua e crua, basta. Além da confiança de que na formação de um profissional seja suficiente passar a informação adiante, em termos que qualquer “homem-médio” entenda.

 

O problema é que a sociedade não é um conjunto de mulheres e homens com conhecimento suficiente para compreender qualquer informação mediana. Por isso que problemas como o relatado continuam, e vão desde o indivíduo que “usa a camisinha” num cabo de vassoura ao lado da cama – porque lhe ensinaram como colocá-la usando um cabo de vassoura – até a mulher que reparte seu anticoncepcional com o marido ou o dilui no filtro de água pra gerar uma “proteção ampliada”.

 

Mas nem tudo está perdido. Como está em voga à busca crescente por capacitações e cursos profissionalizantes, cabe aos instituidores destes programas apresentar essa questão acerca da informação, trabalhando-a com o participante, para que este possa não só apreender o que lhe está sendo passado, como também tenha a capacidade de levar esta informação adiante da mesma maneira. Assim, quando estiver atuando na “ponta do serviço”, este profissional vai ter uma capacidade mais humana, mais preocupada em acompanhar o usuário do sistema, o que ajudaria no atendimento das grandes diversidades encontradas na sociedade brasileira.

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