logotipo da gestão participativa do SUS imagem menu

Minorias

Sobre

Imagem de capa Sobre

Por Luana Arantes


Os Rroma – os assim chamados Ciganos – são um povo de origem desconhecida. A teoria mais aceita atualmente os identifica como um povo originário da Índia, membros de uma casta militar, que por volta do ano 1000, teria iniciado uma grande diáspora em razão de uma série de invasões islâmicas ocorridas na região. Esta teoria foi elaborada fundamentalmente a partir de estudos na área da lingüística e que identificou, nas diversas variações do romanês, a incorporação de palavras de outros idiomas, permitindo a reconstrução de uma suposta rota migratória, inicialmente em direção à Ásia Menor e, posteriormente, para os Bálcãs e Europa Ocidental (Guimarais, 2012).

No Brasil, o primeiro registro oficial da chegada de ciganos, data de 1562 e faz referência ao Sr. João Giciano, homem cigano, natural do “Reino da Grécia”, que desembarcou no Brasil com sua esposa e 14 filhos. Em 1574, há registros de um decreto do Governo português deporta o cigano João Torres e sua esposa Angelina para terras brasileiras por cinco anos (Costa, 1997). Porém, é importante destacar que a primeira menção sobre a presença de ciganos em terras brasileira ocorre anos antes, em 1549, em carta do Padre Manoel da Nóbrega à Companhia de Jesus. Nela, o jesuíta envia informações sobre o Brasil e relata que em partes distantes desta terra, são dadas notícias de mulheres que andavam vestidas com seus trajes de Ciganas (Hue, 2006).

O termo Cigano e suas variações em diferentes línguas – Cygani, Tsigan, Zigeuner – são derivados da palavra grega Atsingani, que significa não toque, intocáveis, e possuem uma forte carga pejorativa. De acordo com material produzido pela Associação Internacional Maylê Sara Kalí (AMSK/Brasil), “estas palavras foram cunhadas para denominar os povos romani no período em que estiveram presentes no território que compunha Império Bizantino, por volta do ano 1000. Outras variações como Gitano e Gypsy são derivadas das palavras Egyptian e Egiptano, que significa egípcio. Passaram a ser amplamente utilizadas na Europa ocidental em razão da crença de que os povos romani eram originários do Egito. Como podemos perceber, são denominações exógenas aos povos romani e não auto-referenciada, tendo, ainda, um forte viés discriminatório (...). Roma é o termo politicamente correto para designar os ciganos. Rom é sua forma no singular, e designa toda pessoa pertencente a esta etnia. 5 São encontradas também as variações com o “r” duplicado: Rrom e Rroma. É importante lembrar que nem todos os ciganos conhecem estes termos ou se consideram Rroma. Romani é usado como adjetivo, também apresentando variações em sua grafia, com “r” duplicado, Rromani, ou com “y”Romany. Designa, ainda, a língua falada pelos Rroma, também conhecida como Romanês e Roman

No Brasil, estão presentes os três grandes grupos étnicos ciganos: Calon, Rom e Sinti. Cada um deles tem dialetos, tradições e costumes próprios. Os Rom brasileiros pertencem principalmente aos subgrupos Caldaraxa, Machuaia e Rudari, originários Romênia; aos Rorarrané, oriundos da Turquia e da Grécia; e aos Lovara (MOTA, 2004). Recentemente, foram identificados no Brasil os Rom-Boyasha. O grupo Calon, originário de Espanha e Portugal, é bastante expressivo no Brasil, estando presente em todas as regiões do país. Os Sinti chegaram ao Brasil principalmente após a 1ª e 2ª Guerra Mundial, vindos principalmente da Alemanha e da França (Vasconcelos e Costa, 2015). Não há números oficiais sobre quantos ciganos vieram ou vivem hoje no Brasil. A estimativa média é de mais de quinhentos mil atualmente no país (SEPPIR, 2013a; Pereira, 2009:93). A única pesquisa oficial que coleta dados sobre a população cigana é a Pesquisa de Informações Básicas Municipais – MuniC, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, a referida pesquisa é realizada apenas entre gestores municipais com objetivo de gerar indicadores sobre a oferta e a qualidade dos serviços públicos locais e a capacidade daqueles gestores em atender às populações. Ou seja, são dados secundários e gerais fornecidos por pessoas que, em sua grande maioria, desconhecem a realidade dos povos ciganos. Apesar dessas fragilidades, as informações serão aqui resumidamente apresentadas, a partir da análise dos dados realizada pela equipe da Associação Internacional Maylê Sara Kalí – AMSK/Brasil (Vasconcelos, Ribeiro & Costa, 2013). Em 2011, foram identificados 291 acampamentos ciganos, localizados em 21 estados, sendo que os estados com maior concentração de acampamentos ciganos são: Bahia (53) Minas Gerais (58) e Goiás (38). Os municípios com 20 a 50 mil habitantes apresentam a mais alta concentração de acampamentos. Desse universo de 291 municípios que declararam ter acampamentos ciganos em seu território, 40 prefeituras 6 afirmaram que desenvolviam políticas públicas para os povos ciganos, o que corresponde a 13,7% dos municípios que declararam ter acampamentos (Vasconcelos, Ribeiro & Costa, 2013). O item 5 do presente relatório dedica-se ao debate da presença de ciganos nos municípios abrangidos pelo Projeto.